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Ano 42 - Nº 2041

25 de Setembro de 2026

2041

HISTÓRIA DE VIDA

Historias

01/10/2026
HISTÓRIA DE VIDA

Levi Altivo de Paula, filho de João Altivo de Paula e Maria da Conceição Oliveira, nasceu na Fazenda Grama, em Brás Correia/MG, em 20 de junho de 1937. Teve 7 irmãos, mas dois já faleceram. Casado com Natália Campolina Pontes, tiveram quatro filhos, Hudson, Rodrigo, Luciano e Cláudio. Por meio do casamento deles, tem seis netos e é o autor do recente lançamento do livro Mil Vidas Eu Tivesse, divulgado na página 6 do GP 2138. Fora isso, já recebeu muitas homenagens como comerciante, tendo sido, inclusive, homenageado, em 1975, pela Associação Comercial de Minas Gerais, como Comerciante do Ano, e, em 1990, Garra Profissional na mesma área. Tendo sido proprietário e gerente da já extinta Casa Levi, hoje ele é comerciante de gado e imóveis. Para saber mais sobre a laboriosa história de vida do popular Levi, a reportagem GP, por uma questão de espaço, precisou fazer um resumo das nove páginas escritas a mão pelo entrevistado e entregues por ele mesmo nesta redação GP. Vale a pena conferir.

“Quando meu pai morreu, aos 36 anos, eu estava com apenas 5 anos de idade. Com 8 anos, comecei a vender biscoitos nas ruas e dava metade para a minha mãe. A outra metade eu comprava alguma roupa para mim, no fim do mês. Consegui comprar o meu 1º par de sapato, quando me formei na hoje 4ª série. Terminado o curso primário e não tendo como pagar o ginásio, fui trabalhar na roça, guiando boi, colhendo algodão ou ajudando a fazer rapadura. Eu ficava na casa de meus avós, Cornélio e Maria Bárbara. 2 anos depois, voltei para fazer o 5º ano primário, já que minha mãe fez a minha matrícula, porque era de graça. Tirei o 1º lugar o ano todo. Terminando o 5º ano, voltei ao trabalho do campo, dessa vez com o meu tio Arlindo, perto de Onça do Pitangui/MG. Levantava de madrugada para buscar as vacas, ajudava na ordenha de leite e na desnatadeira manual. Tratava também dos porcos, arava terra, apartava bezerros e à noite ainda debulhava milho0 para tratar dos porcos, galinhas, etc.. Aos sábados, levava o creme à estação do Carioca. Depois da 5ª série, voltei a estudar, na recém-fundada Escola Comercial Nossa Senhora da Piedade, onde hoje funciona a biblioteca pública. Depois da 8ª série, fiz o curso técnico em contabilidade; fui da 1ª turma. Depois, eu e alguns colegas fiz o concurso do Banco do Brasil, que uma emprego excelente, mas tinha de ir para outras cidades e eu não quis, porque eu queria mesmo era ser comerciante,  tive pesar também  de deixar minha mãe viúva e ficar longe da minha namorada, Natália,” relembra Levi.

“NA REUNIÃO, O TEMA ERA REFORMAR OU DEMOLIR A VELHA MATRIZ. EU VOTEI POR REFORMAR”

REALIZAÇÕES – “* Um dia, o meu cunhado José Torres foi me buscar para trabalhar na loja Casa São José, de José Inácio e seu filho Walter Marinho, porque o Jurandir Altivo, meu primo que trabalhava lá tinha ido servir no Exército. Lá trabalhava também meu irmão, Vantuil. Nesse 1º e único emprego de carteira assinada que eu tive, trabalhei durante 15 anos - 10 como empregado e 5, como sócio. Depois, propus ao Walter expandir a loja. Como ele não quis, saí da sociedade e fundei a Casa Levi,  em 1966, que contou com a presença do querido padre Libério, que benzeu um crucifixo que acompanhou a loja por 54 anos. Como era uma loja de variedades, passei a viajar muito, procurando melhores fontes de fornecimento, como feiras em várias regiões do país, acompanhando sempre o que estava na moda. * Fui também secretário da Associação Comercial, em sua 1ª diretoria, e, depois, presidente, elevando o número de associados de noventa e oito para quatrocentos, aproximadamente. Depois, procurei alguém para me substituir e escolhi o, então, secretário municipal, Dinho Marinho, mas ele exigiu que eu ficasse como vice dele. Na gestão dele conseguimos a inclusão das indústrias e com isso a entidade passou a se chamar Associação Comercial e Industrial de Pará de Minas e, mais tarde, na presidência de outros, Ascipam. * Mais adiante, o bispo diocesano Dom José Belvindo e padre Hugo estavam lutando para conseguir uma emissora de rádio para a cidade. Diante disso, a associação conseguiu uma audiência com o ministro das comunicações, Quant de Oliveira. Fomos a Brasília/DF, eu, o Dinho e o Jackson Campos expusemos a necessidade da rádio e também o empenho do padre Hugo e do bispo. O ministro, então, nos assegurou que iria cancelar o compromisso que havia com outra cidade e concedê-la a Pará de Minas, que foi instalada com o nome escolhido por padre Hugo: Rádio Santa Cruz. Para tanto, foi formado um grupo de cotistas e tempos depois, Dom José Belvindo fez o pedido de doação de nossas cotas para a diocese e quase todos doaram e hoje a Rádio Santa Cruz é uma emissora católica, pertencente à diocese de Divinópolis. * Tive também a satisfação de ter sido um dos sócios-fundadores do Rotary Club de Pará de Minas, criado Hélvio, gerente do Banco do Brasil, com a colaboração do empresário José Francisco, pai do médico Silvimar Nunes. Incumbiram-me de convidar e escolher, rigorosamente, pessoas para compor o quadro, para a fundação. Participei do clube, durante um longo período. Porém, como as reuniões semanais estavam prejudicando as minhas viagens de compras, tive de pedir demissão. Tempos depois, recebi juntamente com outros irmãos rotarianos, o diploma de Mérito Rotário. * Um dia, fui convidado pelo padre Hugo para fazer parte de uma comissão que ajudava a resolver os problemas da paróquia Nossa Senhora da Piedade. Em uma das reuniões, o tema era reformar ou demolir a velha matriz. Eu votei por reformar, pois ela era linda demais por dentro, mas, devido ao alto custo que iria ficar, a maioria votou, infelizmente, pela demolição. * Dessa forma, partimos para construção da nova matriz que ficou também maravilhosa e acolhedora. * Construí também um prédio, onde é o Colonial Palace Hotel, que foi o 1º prédio mais alto e com elevadores de Pará de Minas. * Como eu tinha um lote bem grande na rua São José, a Pana Engenharia me propôs construir naquele lote aquele prédio chamado Edifício Guarapari e eu topei. * Mais recentemente, construir o Edifício Levi Altivo, em frente à câmara municipal, doando um apartamento para cada filho e para cada neto(a). * Construí várias casas no Centro e bairros de Pará de Minas, em parceria de amigos construtores, que já partiram desta vida. * Fui convidado para participar do Corpo de Jurados do fórum e, a princípio, recusei, mas fui convencido de que isso faz parte da cidadania. Exerci esse importante papel por longo tempo e, depois, pedi demissão pelo motivo das minhas viagens. * Apesar de tudo isso, nunca deixei de lado o gado e as negociações de fazendas, porque isso está no meu sangue!”

ALGUMA SAUDADE? - “Sinto falta: * do Cine Vitória, do Tião, do Cine Imperial, do Tadinho. Eu adorava filmes, principalmente os faroestes; * do carnaval de rua e do Centro Literário, com os lança perfume e as máscaras; * dos desfiles de 7 de setembro; * do footing na rua Benedito Valadares que, quando batia o sino na igreja, na hora da consagração, todo mundo parava, como estátua, com todo respeito! No mais, só tenho a agradecer a Deus pelos bens materiais que consegui, com muita luta e honestidade, por tantas amizades e pela família linda que tenho, que considero a minha maior riqueza! Hoje, peço a Deus mais alguns anos de vida com saúde, para que eu continue na luta e que eu possa servir de exemplo, pois o trabalho enobrece e dignifica as pessoas!”

MOMENTOS E RECADO - “* O momento mais feliz da minha vida foi o meu casamento. Emocionante! * O momento mais triste foi quando perdi a minha mãe, que passou tanto trabalho na vida, sem nunca reclamar de nada. Hospedava todos os parentes que vinham da roça por algum motivo: compras, festas, doenças, mortes, etc.. sempre com aquela bondade, amor e doçura total. Santa, santa, santa! * Aos jovens, deixo um recado: se quiserem ter vida longa, com saúde, respeito e personalidade, não usem drogas e nem mesmo o cigarro, pois essas coisas, além de prejudicar a saúde, incomoda os outros e encurta a vida! * Aos idosos eu digo: não parem de trabalhar porque já aposentaram. Troque de serviço, pois, com a experiência que vocês já têm, vai ser só sucesso! E não fiquem bravos com meus conselhos! (riso).”

ALGO MAIS? - “* No mais, admiro e agradeço a GAZETA PARÁ-MINENSE, por meio do amigo Bié Barbosa e de sua valorosa equipe, que trabalham e contribuem para com a nossa cidade! Com carinho, abraço a todos!”

LEVI ALTIVO DE PAULA, 89


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